terça-feira, 29 de outubro de 2013

Mulher de Conforto

Já era noite quando a arrastaram para fora da cama.
-Se ajeite, coloque o vestido pendurado no roupeiro. Tens um trabalho- dizia a velha gorda dona do cabaret-Vamos!
Janel já não se importava mais com clientes, nem com os horários com que eles vinham, ela também não se importava com o dinheiro no qual ganhava. Não tinha uma família para sustentar, e nunca iria poder começar uma.
Fora chamada para trabalhar em um jantar de um grande general, daqueles homens gordos que vivem com um charuto, que batem e matam seus escravos judeus por pura diversão, bebiam desenfradamente, e compravam belas mulheres. E ela teria que se misturar, se deixar ser tocada por aquelas mãos tremendas. Mãos que mataram pessoas como ela, que passavam fome e frio, que sofriam.
Sentou-se na penteadeira e se mirou no espelho, viu aquela delicada moça com cabelos loiros e olhos claros, viviam dizendo a ela que era a imagem da perfeição, podia ser a imagem da perfeição, só não sabia que a perfeição era tão infeliz.
Havia uma lágrima escorrendo, uma lágrima que nenhum de seus patrões podiam ver. Era difícil ser o que ela era, um belo objeto, um que você apenas chama e o aluga durante umas horas. Não tinha família, era sozinha, vivia no escuro. Suas companheiras de quarto? Morreram, foram descobertas pelos nazistas e levadas para os campos de concentração. "Pense bem criança, sorte a sua não ter a marca em seus braços, queremos você conosco, nos rende um ótimo dinheiro".
Colocou o vestido e se enfeitou com as jóias caríssimas que ganhava de seus clientes mais especiais, era uma moça adorada na Polônia, e até respeitada para uma mulher com um trabalho como o dela. Estava linda, uma linda e adorável polonesa, e mal tinha 18 anos. Quando chegou à casa do general, tinham mais algumas garotas que já estavam lá dentro, cada uma ao lado de um homem, e que não surpreendentemente eram gordos e ricos donos de fábricas. O general não tinha mulher alguma ao seu lado, esperava pacientemente por sua querida Janel, sua querida polonesa que vivia no subúrbio, sempre à espera de um cliente.
Quando ela chegou, todos já a conheciam, o dono foi logo a abraçando e a puxando para à mesa, fazendo-a sentar-se bem ao seu lado, bem próximo, ela não aguentava mais. O jantar passou como um sonho, podia estar presente de corpo na mesa mas sua mente jazia em outro lugar, na sua infância onde vivera sorrisos sinceros, na adolescencia onde ainda tinha sua família. O general ficou bêbado o suficiente para Janel saber o que iria acontecer dali em diante, alguns convidados já tinham subido, outros ido embora, talvez para a casa da suas amantes, ou, muito raramente para a casa de suas esposas.
Era hora de ir pra cama. A pior hora da noite, onde tinha que carregar aquele pesado homem pelas escadas e lhe dar prazer, não aguentava mais, não queria mais, ela chorava enquanto o carregava e ouvia as chulas músicas que ele entoava e que já não a faziam mal algum. E se deitaram, ela não conteve as lágrimas mas seu cliente estava bêbado demais para perceber qualquer coisa a seu redor. Era madrugada quando ele se cansou, a jogou de lado e dormiu na grande cama de casal que parecia extremamente pequena quando ele deitava.
Ela não queria dormir, nunca dormia. Se enrolou num cobertor, colocou suas roupas de baixo e olhou pela varanda. Estava nevando.
Olhou para a cabeceira e lá viu a pistola que ele sempre carregava, se aproximou e pegou-a, estava carregada. Colocou-a na cama, se vestiu e se olhou no espelho, penteou os cabelos, respirou fundo, pegou a arma de novo.
Saiu do quarto e foi andando até o campo central da grande fazenda, presumia que eram por volta das 4 horas da manhã e os escravos tinham a permissão para dormir durante duas horas.
Não tinha ninguém no campo, a não ser a pequena e delicada Janel com uma pistola na mão. Era tão delicada quanto aquela neve ao seu redor.
Já conseguia sentir suas lágrimas novamente.
Lembrou-se de tudo, lembrou-se de o porque de estar ali, lembrou-se da sua constante falta de vida, lembrou-se que não passava de um conforto e nunca era confortada.
Lembrou-se de que não queria que sua vida fosse preservada no dia em que mataram todos que amava diante de seus olhos.
E chorou.
Contundentemente as primeiras gotas de sangue encontraram a neve, e meio segundo depois, Janel deitava, descansando eternamente em meio ao contraste do branco e vermelho. Seu corpo não demorou a esfriar, já havia morrido há tempos. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Os 15 Eu's

15 anos,
E realmente não sabia o que pensar sobre isso. Olhava pra janela escura do seu quarto e imaginava se algo ia mudar. 
Raramente mudava. 
Não sabia se se sentia feliz, triste. Parecia que era ontem que tinha 12 anos e planejava a sua festa arduamente, como se todos os seus segundos dependessem daquele momento. 
Entrar com um vestido perfeito, uma coroa, com um penteado longamente trabalhado enquanto passavam fotos de sua infância no telão e seus pais se emocionavam. 
Ah, mas aquela ela era com 12 anos. 
Quando completou 13, já não sonhava tanto com aquele momento. Aos 14, até que pensou, mas nunca aconteceu.
Ela tinha mudado, caiu numa realidade que nem gostava tanto assim. Percebeu que foi um "eu" a cada fase da vida e acha um pouco tarde pra tentar descobrir o "eu" que te cabia agora.
Imagina que é sempre o "eu" do silencio, aquele que não conta os problemas mas sim piadas sobre eles, pelo simples prazer de ouvir risadas. Aquele que prefere ficar embaixo das cobertas assistindo filmes do que ir pra uma festa pois sente dor de coluna nas primeiras três músicas (e mesmo assim fica com vontade de dançar). O "eu" que se sente confortável, com seu eu.


O "eu" que cabe agora é o do conhecimento e aprendizagem, e posso só ter completado 15 anos, mas sinto que evolui de uma forma magnífica, e quero progredir.

sábado, 21 de setembro de 2013

O Meu Chá de Sumiço

E lá estava ela, sentada no sofá, o cabelo bagunçado e a vida mais ainda.
Desde que ele foi embora, ela mal conseguia viver, era tudo tão escuro e ela se encaixava naquilo, era desconfortável, mas era um beco sem saída, um túnel sem luz no fim. Lembrava das últimas palavras dele como se acabara de ouvi-las.
"Desculpa, mas ela é melhor que você".
"Mas que porra de mundo é esse? Ninguém é melhor que ninguém." Pensava ela enquanto desabava em lágrimas. Viveu os melhores 6 meses de sua vida ao lado do seu grande, maior e primeiro amor, ah, eles se amaram e viveram felizes como ninguém. Até que o inesperado acontecesse, e ela tinha que partir.
Meses os separaram mas foram como anos, anos de insônia e choro, anos de preocupação pra saber se seu amor ainda estava lá, guardado só pra ela.
"Fica tranquila branquinha, quando você voltar o amor e o café que eu te darei estarão aqui" E ela sorria.
E voltou.
O amor não estava lá.
Só o café.
Amargo.
Decidiu tomar chá.



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Nota da autora: Esse é dedicado ao blog em si, que ficou esquecido durante um mês, mil perdões.
Digamos que estou com projetos "maiores".

Obs: Obrigada pela ajuda Mumu.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Os Monstros Debaixo Do Meu Armário

Fotografia: Angelo Bonini


"Terceira noite seguida que não consigo dormir" pensou ele, e levanta da cama. Vai à cozinha, pega suas pílulas, senta-se e olha pra elas como se fossem um pecado. 
Não queria toma-las, não queria dormir sedado mais uma vez, ele queria sonhar um pouco. Porque na escuridão já vivia. 
Todos diziam que fugir da realidade não era uma opção, mas mesmo assim ele tentava, com todas suas forças, fugir dela "Tome seus remédios, você vai melhorar" diziam todos aqueles que se importavam com a vida medíocre e triste de um rapaz de 20 anos, que mora sozinho num apartamento sujo de tristezas e toma pílulas para (sobre)viver.
São duas e meia da manhã de um domingo e tudo que você vê naquele apartamento é um rosto triste com a barba mal feita olhando pra uma caixinha de pílulas. "Se pelo menos houvesse uma pílula que surtisse felicidade" pensou consigo. 
Pegou aquela caixa meia cheia de tristeza e jogou no chão, não queria aquilo. Não queria mais nada. Levantou-se, pegou um lápis e seu caderno de notas e escreveu. Escreveu e escreveu. 
Naquela madrugada, conseguiu tirar conclusão de que a madrugada não foi feita para os amantes dormirem abraçados ou fazerem amor, nem para as pessoas que tem a cabeça sem tormentas. 
A madrugada é fruto daqueles que, como ele, morriam e apenas re-viviam de novo pela manhã, pensavam em pílulas da felicidade, e tentavam conviver com os monstros debaixo do armário. 


sexta-feira, 12 de julho de 2013

Mapa das Estrelas

1963

"Ah, Andrômeda? Aquela menina meio esquisita e diferente da rua B20?"
Tá aí uma descrição bem tipica e fadiga sobre essa incrível garota que odiava ser chamada ou rotulada como "diferente". Todos diziam que ela não gostava de "coisas de menina". Mas, por favor, como se existisse tal coisa. Existem roupas femininas, perfumes femininos e alguns outros detalhes que diferenciam a mulher do homem. Mas "coisas de menina" não, isso é só invenção de pessoas que gostam de ser rotuladas como "maturas e adultas", porém, mal sabem o que estão perdendo quando se brinca de carrinho.
Andrômeda tinha apenas 13 anos de idade, e gostava sim de coisas femininas, usava vestidos e comprava sapatos quando a mãe chamava. Só não a despertara tamanho interesse nessas coisas tão comuns, coisas que todos fazem, coisas que são necessárias, não coisas que precisem chamar sua atenção a ponto de ir ao quarto cor-de-rosa de uma amiga e dar uma olhada nas próximas "tendências".
Não, essa não era Andrômeda.
Ela gostava de entrar no quarto do irmão mais velho, Heitor, e pegar seu telescópio escondido, para observar as estrelas na madrugada de sábado. E no domingo ela completava seu "Mapa de estrelas" e dava um nome a cada uma delas. No seu ultimo domingo atualizando o mapa, nomeara as estrelas que vira com o nome de cada membro da sua família.
Margarida, Antonio, Eleonora, Heitor. Essas eram as mais novas estrelas de Andrômeda, e eram também as favoritas.
Uma pena que não tivessem mais garotas como ela, era sozinha, não tinha amigos ou amigas, era apenas aquela que gostava de observar as estrelas e se imaginar tocando elas. E por conta de tais pensamentos, se achava incapaz de fazer amigos na escola, era difícil para se comunicar pois tinha ideias tão diferentes de todos aqueles ao seu redor, e decidiu se isolar, tinha medo de as pessoas a acharem mais "tapada" do que já achavam que era.
Em uma tarde de segunda, Andrômeda voltava da escola a pé (já que presumiu que o pai esquecera de a buscar, de novo) e quando chegou em casa, sentiu todas as estrelas que observara e nomeara da ultima vez, caírem aos seus pés.
Viu sua casa numa cor cinza, com uma mobília totalmente destruída e o telescópio do irmão que tanto amara, queimado e acabado. Daquela segunda-feira em diante, sua vida nunca mais foi a mesma.

Passou 2 anos vivendo em orfanatos, durante esse tempo, tentou se adaptar a casas de famílias. Mas ela não queria, ela não sentia uma vida familiar ali dentro. Que tipo de vida era aquela, onde você não podia pegar o telescópio de irmãos escondido pois não tinha irmãos?
 A última vez que Andrômeda foi adotada foi por um velho casal simpático, Sra. Inês e Sr José eram ótimas pessoas, foi uma das casas onde mais passou tempo. Mas nunca se sentia acomodada, ficou lá pois estava cansada de ir e vir tantas vezes. Ela desistiu, ela aceitou tudo que a foi imposto,-Andrômeda, você está ficando velha demais para orfanatos, vá para essa família se quer continuar tendo um teto sobre sua cabeça. E viveu com esses senhores durante 6 meses.
 Aos 16 anos, ela escreveu uma carta:
"Querida Sra. Inês e querido Sr. José, 
        Estou escrevendo essa carta com a finalidade de fazer com que nenhum de vocês se sintam culpados pelo o que aconteceu (ou está prestes a acontecer, no meu caso). O fato é, eu sinto muita falta da minha família, vocês foram como uma, mas a saudade da minha verdadeira aumentou demais.
     Quero que saibam que o cuidado de vocês comigo foi magnífico, mas eu não posso e nem quero continuar, o que eu senti/sinto não é um simples coração quebrado por um namorado, é a falta de uma família nele. É a falta dos meus pais, da Eleonora e do Heitor. É uma falta inexplicavelmente grande, uma falta tão grande que faltam palavras pra descrever, é uma falta de compaixão por não poder mais viver com eles, é uma falta de vida dentro de mim.
    Desde que vi o antigo telescópio do Heitor queimado e acabado no chão, senti que as minhas estrelas (as minhas, todas aquelas que nomeei no mapa que segue essa carta) estavam lá, destruídas, em cinzas, foi como se elas tivessem perdido toda a velocidade no espaço e caído bem aos meus pés. Elas morreram. Assim como eu.
Com rancor (já que presumo que vocês não verão amor em tamanho ato), Andrômeda."

Assim, Andrômeda subiu na cadeira, colocou a corda em volta de seu pescoço, e deu seu último suspiro de vida. Acreditando que veria sua família novamente.

Todos dizem que até hoje Andrômeda brilha com sua verdadeira família, e que não é uma estrela. Mas sim uma das mais belas constelações. 

sábado, 8 de junho de 2013

Dias

E inicia-se mais um dia, ela levanta (não querendo levantar) se ajeita, muito desajeitada, e sai da sua casa, do seu refúgio, pra viver o que a sociedade chama de "vida".
Mas não era vida porcaria nenhuma, ela odiava ter responsabilidades, odiava encarar aquele mundo desagradável. O que gostava mesmo era de si mesma e dos seus livros. Mas, colocava sua máscara de boa auto-estima, de felicidade, de sorrisos sem razão e abria a porta.
Ah, essa era a pior parte, ter que enfrentar tudo de novo, atravessar os portões do inferno e encarar aquelas pessoas que ela nem se quer gosta. Era difícil viver seu dia-a-dia, ser sempre caçoada porque lia, tentava explicar como ler é maravilhoso mas nunca conseguia, pois os ouvidos daqueles eram entupidos de mídia e de "leis impostas pela sociedade" de que você tem que ser de um jeito e apenas desse jeito.
Ah, ela odiava isso também, odiava ter que ficar ouvindo tudo e todos dizendo pra ela como se vestia mal e "Por que não se veste como aquela garota?" odiava ter que aguentar criticas horrendas sobre como gostava mais de livrarias do que lojas de sapatos. E tudo que ela mais queria era ficar em casa, lendo e escrevendo, lendo e escrevendo, lendo e escrevendo incansavelmente, mas a oprimiam:- Faça mais amigos!- eles diziam, e era tudo que ela não suportava escutar.
Vivia aquela vida pensando sempre em dias melhores. Dias que nunca chegavam.
Ás vezes gostar de escrever é uma droga
Você precisa de assuntos e você precisa de histórias
Mas você não vive.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Ser humano.

Certa vez li uma passagem que dizia "Acho que o maior trabalho de uma pessoa depressiva é tentar o seu máximo para que as pessoas ao seu redor sejam felizes. Pois ela sabe o que é se sentir inútil, e não quer que ninguém se sinta assim."
Foi algo que ficou na minha cabeça por um bom tempo, pensei bastante sobre.
Como uma pessoa certamente não satisfeita com nada dos meu sentimentos, descobri que meu trabalho por aí é tentar ouvir as pessoas, aconselha-las quando consigo (algo muito raro, sou péssima com conselhos) mas enfim, tentar deixa-las confortáveis ou felizes, de pelo menos saber que alguém no mundo as escuta.
É um trabalho que tenho falhado em fazer, e veja bem: ele é o único que me sinto realmente motivada a fazer, porém, o sentimento constante de que as pessoas acham que eu sou um fracasso me persegue.
Sou desse tipo de pessoa que se importa com as vidas humanas, não vou negar que nunca desejei a morte de ninguém, mas no fundo no fundo, me importo e quero o bem delas, quero que as pessoas não se sintam inúteis.
Mas acho que as vezes as pessoas esquecem de como é ser humano, e tentam passar essa ideologia horrível de que as pessoas não precisam de pessoas para pessoas como eu, que ainda tem um pouco ali e um pouco acolá, de fé nas vidas humanas, que ainda acha que o mundo consegue ser verdadeiramente humano.

domingo, 12 de maio de 2013

Complicações

São 23:50 de um domingo. Segunda feira não iria ser feriado e ele não estava de férias. E ai? Ele teria que levantar da cama ás 6, tomar café, colocar o uniforme e enfrentar o inferno escolar.
Porém, nem sequer estava aí pra isso, tudo que queria era dormir e nem isso estava conseguindo, queria dormir mas não parava de pensar em seus erros. Em como as coisas podiam ter sido diferentes se não tivesse feito tal coisa ou tomado tal decisão.
Ele lutava para o bem em si mesmo e não o achava, lutava para criar uma linha tênue em seus sentimentos mas não a achava. Tudo que achava eram sentimentos obscuros, coisas que não era suposto de se achar "tão tarde da noite". E tentava preencher seu corpo com qualquer coisa e não conseguia.
Era tudo muito difícil, tudo muito complicado.
A alma dele estava tomada pela melancolia.

A menina desfigurada

Ou então até, figurada, ela era engraçada, bela, morena, com os cabelos cacheados e ao vento. Uma garota de ipanema.
Tinha seus defeitos, todo mundo tem defeitos, mas até os defeitos dessa moça os deixava tão perfeita. Seu apelido era morena, era assim que todos a chamavam, "Olha lá quem passa! A morena do verão!".
E ela era linda, como era, as amigas; a invejava por sua cor e seus cabelos e os amigos; ah, todos a queriam. Tinha aquele jeito de surfista e não era cheia de fru frus femininos, era uma menina humilde e linda, por dentro e por fora.
Ela era uma arte, uma poesia em forma humana, bastava olhar pra ela que os poemas mais belos escritos em tuas curvas e cachos do cabelo. Ah, por ela você cantava a mais bela das músicas mais de duas vezes, e dançaria Purple Rain sempre que ela pedisse.
Era uma das meninas mais belas que já tinham visto, e que nunca quiseram a perder de vista.



Ela é linda.
E nunca vai deixar de ser.

-Para: Sarah Oliveira, te adoro morena, obrigada por tudo. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Juventude

Eram 20hrs, e era o grande dia dela também. A festa começaria as 21:30 se não houvesse atrasos, estava tudo lindo, tudo perfeito. Mas a aniversariante, digamos que ela tinha seus defeitos.
Durante a festa ele teve uma crise de rebeldia, um surto, um momento de lucidez do tipo "Mas que porra que eu to fazendo aqui?" A cerimônia nem havia começado quando ela decidiu que não queria ficar na festa, de forma alguma e de jeito nenhum.
Os convidados mal haviam chegado, no estacionamento, aquelas menininhas com seus belos vestidos e saltos, dando o ultimo retoque na maquiagem pra entrar no salão, e os tipicos meninos que colocam o som alto no carro e ficavam lá. Até alguém obrigá-los a entrar.
Pois bem, depois de seu momento de surtez, a aniversariante decidiu que ia com os tipicos meninos pra longe, bem longe. Arrumou uma cesta com variados tipos de comida da festa, bebidas e doces.
"Vou com vocês" Disse ela enquanto andava em direção ao carro "Tem certeza?" perguntou o que estava no volante. "Oh se tenho, odeio isso, não queria isso, e sabe, não quero que meu aniversário seja uma droga" ela respondeu "Mas isso é uma mega festa e, VOCÊ é a aniversariante" disse um deles em protesto "Eu já disse pra você que eu não quero que meu aniversário seja uma droga? Então, NÃO QUERO QUE MEU ANIVERSÁRIO SEJA UMA DROGA!". E assim, ela entrou no carro, e não ouviu protesto algum.
Durante a suposta viagem, ninguém falou nada, até que o que estava ao volante teve que perguntar "Pra onde a gente vai mesmo?" a garota estava prestes a explodir quando raciocinou a pergunta "Ah sei lá" ela disse "quais lugares vocês frequentam?" Todos pararam, se entreolharam. "Ah, nós costumamos ir a um morro, subimos lá e ficamos ouvindo música, olhando as estrelas" o que estava no volante respondeu "Então pé na tábua, não quero perder tempo".
E lá foram eles, ao som de There Is a Light That Never Goes Out de The Smiths, estrada a dentro.
Quando chegaram lá, os meninos pegaram seu álbum de Engenheiros do Hawaii e botaram no ultimo volume, tiraram a cesta com comidas serviram no capô do carro, e lá ela comemorou seus 15 anos de rebeldia.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O que eu quero ser quando crescer?

Essa é a pergunta da minha vida, daqui pra cá tenho pensado seriamente nisso. Quando estava na 5ª série já estava na ponta da língua "engenheira, é claro" por conta de me inspirar no meu irmão mais velho, mas depois que descobri que sou mais que péssima (e que odeio) matemática, desisti. E desde então, nunca mais cheguei a pensar exatamente em o que eu queria.
A sociedade me reprimi, diz que não sou boa o suficiente e por causa disso não me reconheço e não consigo pensar em nada, eu tenho um bloqueio mental tão grande, algo que mora dentro de mim. Hoje, quando leio essa pergunta, me dá vontade de sumir, "O que você quer ser quando crescer?" Sinceramente, o que vier.
Porém, há sempre uma luz no fim do túnel, depois que li aquelas matérias de "Como escolher sua futura profissão" só percebi o que havia percebido a um tempo, meus pontos positivos e negativos, meu grande amor pela escrita e leitura. Adoro ler, adoro histórias, adoro escrever e adoro falar, conversar e trocar opiniões (nem que seja comigo mesma). Pensei, mas pensei mesmo e tenho tais cursos em mente: direito, relações internacionais, jornalismo e letras. Um deles será o principal, é claro. Quero mais, pelo menos dois cursos (sem falar no meu "sonho alto" de cursar cinema e astronomia). Mas qual decidir? Sei que estou nova ainda, e que tenho quatro anos para pensar, mas acho esse tempo extremamente limitado. Como, no mundo, eu vou decidir meu futuro em quatro anos? São tantas opções, tantas opiniões.
E ah, nem me venha com o tipico e sem fim conselho "Faz o que você gosta" pois se eu levasse-o no literal, trabalharia como testadora de colchões e degustadora de doces.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Caixa de lágrimas

Depois que li "A Culpa é das Estrelas" não consigo parar de pensar na forma poética que Hazel Grace vive, mesmo com o câncer, com os problemas de saúde do namorado, a forma não-rude, a forma de conseguir aturar mesmo quando se quer explodir de raiva.
Minha vida se resume a eu passando raiva, queria ter uma pequena Hazel Grace dentro de mim, e até de vez em quando, ter uma doença. Só pra vez ou outra, as pessoas lembrarem que eu também tenho minhas fraquezas.
E, ah, como são muitas viu? Fraquejo em pensar sobre o que eu quero da minha vida, e pensar sobre tudo, tudo mesmo.
Hoje, tive uma aula de ensino religioso extremamente interessante, onde a professora falava que amigo de verdade é aquele que mesmo nas piores horas, está ali pra segurar sua mão, ou pra saber o pior de você, ou de simplesmente te aconselhar. Percebi que não tenho nenhum amigo, ou pelo menos um amigo de verdade. Poucas pessoas sabem das minhas fraquezas, ou quase nenhuma pra falar a verdade, odeio deixar as pessoas tristes por minha causa, odeio que elas se preocupem.
Eu conheço as minhas fraquezas e as odeio, odeio me abrir, por isso guardo-as dentro de uma caixa, dentro de mim, tranco e queimo a chave. Mas sempre esqueço que eu tenho milhares de chaves reserva, e querendo ou não, essa caixa se abre.
A caixa basicamente contém lágrimas, bobas, sérias, mas lágrimas. As lágrimas que eu recuso a soltar na frente de alguém, as lágrimas que resguardo em mim no caso de emergência, as lágrimas inúteis. Lágrimas que de fato, ninguém percebe.
Queria que entendessem que mesmo quando brincalhonas ou que se mostram alegres as pessoas se enfraquecem, mesmo quando tudo que elas querem é deixar sua caixa de sorrisos sempre aberta.
Elas esquecem que as caixas de lágrimas existem. Esquecem que cada um de nós tem uma dela dentro de si, e que nem todos as abrem para o público.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Quando uma segunda feira

já não é mais motivo pra começar de novo e ter novos planos.

Quando você nem aguenta mais e só quer sumir.

Quando a esperança esgota.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Finais

"Desprovido"
No dicionário:
Adjetivo. 
1.Falto de provisões. 
2.Privado de recursos; desprevenido.

 Acabei de pensar nessa palavra e até que queria exercitar isso, quando eu não tiver nada pra postar por aqui (e olha que eu passei a tarde inteira pensando no que postar, juro) postarei uma ou mais palavras.
 Mas por que "desprovido"? Porque não uma daquelas palavras bonitinhas que todo mundo gosta? Aquelas diferentes?
 Sinceramente? Eu não sei. Acho que me identifico com essa palavra, sou desprovida de decisões e odeio tanto isso. Ás vezes até deixo as pessoas pensarem por mim e me sinto um robô, uma medíocre. Sou desprovida de opiniões como essa de porque o "desprovido", sou desprovida até de alegria quando convém e não convém. Odeio isso sabe, ser desprovida do que não devia.
 E além de tudo, ainda tenho que aguentar o fato de que sou desprovida até de como saber terminar um texto ou qualquer outra coisa, tudo vem a tona na minha mente quando é questão de inicio, até porque é algo novo, todo mundo gosta de coisa nova. E o final? São poucas as coisas que gostamos dos finais, o final daquela aula chata, o final da espera por algo importante. O problema é que ninguém gosta do final daquela viagem maravilhosa, do bolo de chocolate, do filme maravilhosamente bom que acabou de assistir. 
 E eu não gosto de finais de textos, de livros, da leitura. E sou totalmente desprovida de saber como escrever um. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Clipe mais lindo; da música mais linda.

Forever Playing <3

Pilot

Huh, oi.
Não sei nem como começar isso, de verdade, eu não sei. Acho que já leram minha introdução e quem sou eu (e caso não leu, nem se dê o trabalho, maior perda de tempo).
Criei isso daqui com a finalidade (acabei de pensar nela) de compartilhar meu ponto de vista com todos por aqui e também compartilhar um pouco de quem sou eu e a minha vida e tudo mais.
E também porque eu tenho 14 anos e não tenho o que fazer, daí acaba saindo essas besteiras aqui.
Antes de mais nada; não, eu não quero ser uma "jovem revolucionária" da internet. Tudo que eu quero aqui é escrever pra exercitar a mente e passar o tempo, se eu virar alguma coisa assim, é lucro, sério.
Compartilharei aqui resenhas de livros e filmes que leio e assisto, e de músicas e meus gostos em geral. E tentarei escrever umas coisinhas bonitinhas né?

Acho que é só isso mesmo. Pensarei melhor sobre um cronograma de dias para postar por aqui e coisa e tal.