sábado, 8 de junho de 2013

Dias

E inicia-se mais um dia, ela levanta (não querendo levantar) se ajeita, muito desajeitada, e sai da sua casa, do seu refúgio, pra viver o que a sociedade chama de "vida".
Mas não era vida porcaria nenhuma, ela odiava ter responsabilidades, odiava encarar aquele mundo desagradável. O que gostava mesmo era de si mesma e dos seus livros. Mas, colocava sua máscara de boa auto-estima, de felicidade, de sorrisos sem razão e abria a porta.
Ah, essa era a pior parte, ter que enfrentar tudo de novo, atravessar os portões do inferno e encarar aquelas pessoas que ela nem se quer gosta. Era difícil viver seu dia-a-dia, ser sempre caçoada porque lia, tentava explicar como ler é maravilhoso mas nunca conseguia, pois os ouvidos daqueles eram entupidos de mídia e de "leis impostas pela sociedade" de que você tem que ser de um jeito e apenas desse jeito.
Ah, ela odiava isso também, odiava ter que ficar ouvindo tudo e todos dizendo pra ela como se vestia mal e "Por que não se veste como aquela garota?" odiava ter que aguentar criticas horrendas sobre como gostava mais de livrarias do que lojas de sapatos. E tudo que ela mais queria era ficar em casa, lendo e escrevendo, lendo e escrevendo, lendo e escrevendo incansavelmente, mas a oprimiam:- Faça mais amigos!- eles diziam, e era tudo que ela não suportava escutar.
Vivia aquela vida pensando sempre em dias melhores. Dias que nunca chegavam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário