segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Os Monstros Debaixo Do Meu Armário

Fotografia: Angelo Bonini


"Terceira noite seguida que não consigo dormir" pensou ele, e levanta da cama. Vai à cozinha, pega suas pílulas, senta-se e olha pra elas como se fossem um pecado. 
Não queria toma-las, não queria dormir sedado mais uma vez, ele queria sonhar um pouco. Porque na escuridão já vivia. 
Todos diziam que fugir da realidade não era uma opção, mas mesmo assim ele tentava, com todas suas forças, fugir dela "Tome seus remédios, você vai melhorar" diziam todos aqueles que se importavam com a vida medíocre e triste de um rapaz de 20 anos, que mora sozinho num apartamento sujo de tristezas e toma pílulas para (sobre)viver.
São duas e meia da manhã de um domingo e tudo que você vê naquele apartamento é um rosto triste com a barba mal feita olhando pra uma caixinha de pílulas. "Se pelo menos houvesse uma pílula que surtisse felicidade" pensou consigo. 
Pegou aquela caixa meia cheia de tristeza e jogou no chão, não queria aquilo. Não queria mais nada. Levantou-se, pegou um lápis e seu caderno de notas e escreveu. Escreveu e escreveu. 
Naquela madrugada, conseguiu tirar conclusão de que a madrugada não foi feita para os amantes dormirem abraçados ou fazerem amor, nem para as pessoas que tem a cabeça sem tormentas. 
A madrugada é fruto daqueles que, como ele, morriam e apenas re-viviam de novo pela manhã, pensavam em pílulas da felicidade, e tentavam conviver com os monstros debaixo do armário.