Desde que criara consciência, para Maria, a vida não fazia muito sentido. "Você vive, reproduz e morre" ela conseguia ouvir sua professora de ciências repetindo isso toda noite antes de ir dormir, "não sei nem mesmo começar a viver, quanto mais o resto" pensava ao colocar a cabeça no travesseiro.
Você vive. Maria vive, mas não com essa certeza de vida, não faz grandes feitos, não mudou o curso da história da humanidade, mas vive. Se forma na faculdade, arranja um emprego, se casa.
Reproduz. Não se dizer o que exatamente deu errado na vida de Maria nesse ponto da história de qualquer ser humano, mas deu, estava na banheira quando sentiu uma imensa dor, viu o sangue e depois disso, lembra de ter acordado no hospital. Era a terceira vez que ela tentava e falhou.
Ao invés do estado de reprodução, para em um muitos de viver, o chamado " depressão", todos os humanos chegam nele em algum momento, seja mais cedo ou mais tarde. Maria toma pílulas e agora se pergunta se o estado da morte está próximo.
E morre. Maria não vê mais sentido nesse ciclo (se é que alguma vez alguém já viu) ela sente um fracasso, já estava a alguns meses sem tomar seus remédio e mesmo os tomando ela se sentia um fracasso. Desceu as escadas até a garagem, desceu, desceu, desceu, desceu, se viu ligando o carro, se viu sentada ao lado do escapamento fumando um cigarro, ao final do primeiro cigarro, já não tinha mais consciência para o segundo.
Uma semana depois, ninguém se lembrou de Maria.
Lionheart.
sábado, 24 de janeiro de 2015
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Tiago, Lís e Aquela Coisa de Louco
Estávamos frente a frente. Um olhando pro outro, no fim da
linha.
Eu não sentia nada, eu não conseguia sentir nada. Como eu
poderia sentir algo por uma pessoa que tanto me machucou?
E ele dizia que sentia pena de mim, pena das minhas
atitudes, do que eu me tornei. Voltei ao passado, minha mente se fechou para
aquele momento e se abriu para o exato momento em que nos conhecemos, o acaso.
Eu teria que fazer uma dupla com ele para um trabalho da
escola, e eu não queria. Nunca imaginei que dali pra frente algo incrivelmente
diferente ia acontecer em minha vida, seria tantos os momentos, as risadas, as
brigas, tudo ali, no acaso.
Os anos se passaram e com eles toda aquela ideia de que
iriam durar, nossos laços, os sorrisos, as brigas. Fiquei ali, me recordando de
tudo o que fizemos, lembrei-me das conversas, do quanto crescemos juntos e nem
sequer percebemos, erámos burros demais, cegos demais, tristes demais pra
perceber a magnitude e exuberância daquela relação. Como era possível tudo
aquilo acabar num simples dizer de palavras?
Fiquei ali, me afogando em memórias, e nem percebi que meus
olhos estavam cheios d’água.
“Acho melhor a gente acabar isso” a voz dele me trouxe pra
realidade “Não nos gostamos mais, não é a mesma coisa e nunca vai ser”. Eu não
tinha nada a responder, eu não só sonhava com todas as coisas boas, mas, tinha
consciência das ruins, eu devia estar lembrando todas as vezes que saí
machucada, mas eu não conseguia.
Continuamos lá, nos encarado, tentando encontrar uma
essência pra tudo aquilo.
“Não posso dizer que gosto de você agora” eu quebrei o
silêncio mais inquieto que já vivenciei “Mas já gostei de você, e o sentimento
deve estar guardado em algum lugar nas minhas memórias, só não tenho força o
suficiente pra lembrar como ele era agora. Se você acha melhor acabar, então
daremos um fim, se acha melhor dizer adeus, vou dizer.”.
Ninguém saiu andando, nenhum de nós conseguiu virar as
costas. Ficamos parados por um bom tempo, ele me encarava, e eu não conseguia
encarar aqueles olhos novamente, fiquei encarando o chão.
“Adeus” Escutei. Fiquei fitando o chão, não queria ver as
curvas daqueles lábios dizendo aquela palavra. O último som que ouvi vindo
daquele momento foram seus passos na direção contrária a minha. Levantei minha
cabeça a tempo suficiente de ver sua silhueta, andando na calçada, com as mãos
dentro dos bolsos do casaco, se ele olhou pra trás? Nunca vou saber.
Fiquei parada durante uns dez minutos, tentando entender o
que tinha acontecido. Vivemos uma alucinação, coisa de louco. Todas aquelas
conversas, aqueles momentos. Passaram na minha cabeça como apenas uma
lembrança, uma lembrança guardada lá no fundo, como algo que você viveu e não
sentiu acontecer.
Caminhei pra casa desejando não pensar em tudo que tinha
acontecido, ainda era cedo demais e difícil demais pra interpretar tudo aquilo.
Não falei com ninguém, o assunto ainda era delicado. Sentei na escrivaninha,
abri o caderno, já tinha fitado várias folhas brancas antes, mas fitar essa era
tão difícil quanto tirar a imagem dele caminhando naquela calçada. A última vez
que eu vi ele.
Agora éramos uma história, e não uma bela história. Uma
triste, uma que te faz apenas ver e sentir tristeza, ninguém sorri, ninguém
fica bem, os tipos que nos dão murros na cara, uma bronca e nunca a esperança
de um dia melhor. Fiz um autorretrato naquele papel. Nesse desenho eu imaginava
belas imagens, alucinava-me nas ideias de amor, de verdade, de que tudo ia dar
certo. Uma lágrima caiu sobre aquele papel e borrou uma parte daquele chulo
desenho.
Afastei-me e levantei da cadeira, olhei para a porta, era
como se tudo voltasse, ele ali, me chamando, usando aquele suéter que dei de
presente no natal passado. Todas as imagens voltavam, onde quer que eu olhasse.
Minha cabeça não ajudava muito, me fazia relembrar de todas as palavras que
disse pra ele, de todas as brigas e sorrisos.
Não aguentava mais ficar dentro de casa e saí, fiquei
vagueando pelo bairro e olhando as estrelas, tentando achar constelações e
achando apenas tristeza. “Ah, quem me dera se tudo aqui embaixo fosse belo como
é aí em cima” falei, olhando para o alto “vocês tem sorte, mortas a tantos anos
e mesmo assim, astrônomos querem conhecer, estudar e descobrir mais sobre cada
uma. Algo morreu dentro de mim hoje, mas não tenho vontade de saber o que é.”.
Fui no bar, sentei sozinha e bebi um pouco. Nem aquele gosto
amargo de bebida me animava, apenas me fazia refletir que se tristeza tem
gosto, então com certeza é o de álcool. Fiquei sentada lá por um bom tempo,
pensando em como ia ser dali em diante, como eu ia continuar sem ele, sem todos
os abraços pra me encorajar.
-Minha doce garotinha, aconteceu alguma coisa? – Frank, o
dono do bar me despertou do sonho que eu estava tendo acordada.
-Sim Frank, aconteceu o que era pra ter acontecido a tanto
tempo. Ele me deixou... – falei fitando aquele copo de bebida.
-Coisas sempre acontecem por uma razão minha cara, não fique
assim. - ele me respondeu meio sem saber o que responder.
-Ele era minha razão. Ele aconteceu. – respondi.
Os meses que se passaram foram os mais difíceis, eu não
conseguia comer, eu não conseguia dormir e não conseguia desenhar (o que é meu
trabalho). Alguns dias eu sentia tanto a falta dele que via ele onde não
estava, eu o via sorrindo pra mim enquanto se olhava no espelho, o via elogiando
meus desenhos e me enchendo de beijos enquanto eu tentava trabalhar. A tristeza
tinha se apoderado de mim, era agora maior do que eu e me deixava louca, eu
fitava as paredes da casa e me sentia como elas; brancas, nulas, despercebidas.
Eu era assim por ele e me matava cada vez mais saber disso.
Minha irmã dissera que eu tinha ficado louca, o meu
comportamento era anormal. Nos dias eu apenas tomava chá e desenhava coisas
tristes, nas noites eu chorava, eu não procurava ajuda. Ela não entendia que eu não queria ajuda de
ninguém que não fosse a dele.
O tempo passou e, com ele e a ajuda de algumas pílulas, as
minhas loucas ideias de que tudo ia voltar a ser como era antes, não ia.
Depois de 6 ou 7 meses do nosso momento na calçada, recebi
uma mensagem de texto dele.
“Preciso conversar com
você, vamos nos encontrar no café?”.
Minha irmã não permitiu que eu fosse ao invés disso pediu
que eu escrevesse pra ele tudo que eu não disse no dia da calçada, tudo que eu devia
ter dito pra ele, tudo que ele deveria ouvir.
“ Querido Tiago,
É difícil escrever
essa carta, eu não queria te insultar e acho que o que mais me pediram pra
fazer nela foi isso. Mas não, me conheço pouco o suficiente pra saber que eu
não faria isso.
Queria te falar que eu
te entendo, entendo todas as vezes que você ficou bravo comigo ou que você nem
queria olhar mais pra mim, eu também tenho culpa de tudo que vivemos e só
reconheci isso agora, bem depois do fim. Mas durante esses meses eu só conseguia
pensar em como seu sorriso ficava belo nos dias de verão e como ele me aquecia
nos dias de inverno.
Lembrei que a nossa
história foi triste, foi cheia de falhas mas não foi ruim. Obrigada por
proporcionar bons momentos na minha vida, obrigada por me inspirar na hora dos
desenhos, obrigada também, pelo dia na calçada, não fosse por ele eu não teria
reconhecido quão belo fomos.
São os pequenos
detalhes que eu me lembrei durante esse tempo, e são eles que eu consegui
esquecer. Mas não, não quero te ver, a história acaba aqui, me desculpa.
Aprendi, com muito
pudor, que você nunca foi o amor da minha vida. E eu nunca fui o seu. – Lís.”
Eu nuca soube o que ele queria conversar comigo, muito menos
se recebe a moribunda carta. Sei que de todos os pontos finais, aquele foi o
mais difícil.
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Mulher de Conforto
Já era noite quando a arrastaram para fora da cama.
-Se ajeite, coloque o vestido pendurado no roupeiro. Tens um trabalho- dizia a velha gorda dona do cabaret-Vamos!
Janel já não se importava mais com clientes, nem com os horários com que eles vinham, ela também não se importava com o dinheiro no qual ganhava. Não tinha uma família para sustentar, e nunca iria poder começar uma.
Fora chamada para trabalhar em um jantar de um grande general, daqueles homens gordos que vivem com um charuto, que batem e matam seus escravos judeus por pura diversão, bebiam desenfradamente, e compravam belas mulheres. E ela teria que se misturar, se deixar ser tocada por aquelas mãos tremendas. Mãos que mataram pessoas como ela, que passavam fome e frio, que sofriam.
Sentou-se na penteadeira e se mirou no espelho, viu aquela delicada moça com cabelos loiros e olhos claros, viviam dizendo a ela que era a imagem da perfeição, podia ser a imagem da perfeição, só não sabia que a perfeição era tão infeliz.
-Se ajeite, coloque o vestido pendurado no roupeiro. Tens um trabalho- dizia a velha gorda dona do cabaret-Vamos!
Janel já não se importava mais com clientes, nem com os horários com que eles vinham, ela também não se importava com o dinheiro no qual ganhava. Não tinha uma família para sustentar, e nunca iria poder começar uma.
Fora chamada para trabalhar em um jantar de um grande general, daqueles homens gordos que vivem com um charuto, que batem e matam seus escravos judeus por pura diversão, bebiam desenfradamente, e compravam belas mulheres. E ela teria que se misturar, se deixar ser tocada por aquelas mãos tremendas. Mãos que mataram pessoas como ela, que passavam fome e frio, que sofriam.
Sentou-se na penteadeira e se mirou no espelho, viu aquela delicada moça com cabelos loiros e olhos claros, viviam dizendo a ela que era a imagem da perfeição, podia ser a imagem da perfeição, só não sabia que a perfeição era tão infeliz.
Havia uma lágrima escorrendo, uma lágrima que nenhum de seus patrões podiam ver. Era difícil ser o que ela era, um belo objeto, um que você apenas chama e o aluga durante umas horas. Não tinha família, era sozinha, vivia no escuro. Suas companheiras de quarto? Morreram, foram descobertas pelos nazistas e levadas para os campos de concentração. "Pense bem criança, sorte a sua não ter a marca em seus braços, queremos você conosco, nos rende um ótimo dinheiro".
Colocou o vestido e se enfeitou com as jóias caríssimas que ganhava de seus clientes mais especiais, era uma moça adorada na Polônia, e até respeitada para uma mulher com um trabalho como o dela. Estava linda, uma linda e adorável polonesa, e mal tinha 18 anos. Quando chegou à casa do general, tinham mais algumas garotas que já estavam lá dentro, cada uma ao lado de um homem, e que não surpreendentemente eram gordos e ricos donos de fábricas. O general não tinha mulher alguma ao seu lado, esperava pacientemente por sua querida Janel, sua querida polonesa que vivia no subúrbio, sempre à espera de um cliente.
Quando ela chegou, todos já a conheciam, o dono foi logo a abraçando e a puxando para à mesa, fazendo-a sentar-se bem ao seu lado, bem próximo, ela não aguentava mais. O jantar passou como um sonho, podia estar presente de corpo na mesa mas sua mente jazia em outro lugar, na sua infância onde vivera sorrisos sinceros, na adolescencia onde ainda tinha sua família. O general ficou bêbado o suficiente para Janel saber o que iria acontecer dali em diante, alguns convidados já tinham subido, outros ido embora, talvez para a casa da suas amantes, ou, muito raramente para a casa de suas esposas.
Era hora de ir pra cama. A pior hora da noite, onde tinha que carregar aquele pesado homem pelas escadas e lhe dar prazer, não aguentava mais, não queria mais, ela chorava enquanto o carregava e ouvia as chulas músicas que ele entoava e que já não a faziam mal algum. E se deitaram, ela não conteve as lágrimas mas seu cliente estava bêbado demais para perceber qualquer coisa a seu redor. Era madrugada quando ele se cansou, a jogou de lado e dormiu na grande cama de casal que parecia extremamente pequena quando ele deitava.
Ela não queria dormir, nunca dormia. Se enrolou num cobertor, colocou suas roupas de baixo e olhou pela varanda. Estava nevando.
Olhou para a cabeceira e lá viu a pistola que ele sempre carregava, se aproximou e pegou-a, estava carregada. Colocou-a na cama, se vestiu e se olhou no espelho, penteou os cabelos, respirou fundo, pegou a arma de novo.
Saiu do quarto e foi andando até o campo central da grande fazenda, presumia que eram por volta das 4 horas da manhã e os escravos tinham a permissão para dormir durante duas horas.
Não tinha ninguém no campo, a não ser a pequena e delicada Janel com uma pistola na mão. Era tão delicada quanto aquela neve ao seu redor.
Já conseguia sentir suas lágrimas novamente.
Lembrou-se de tudo, lembrou-se de o porque de estar ali, lembrou-se da sua constante falta de vida, lembrou-se que não passava de um conforto e nunca era confortada.
Lembrou-se de que não queria que sua vida fosse preservada no dia em que mataram todos que amava diante de seus olhos.
E chorou.
Contundentemente as primeiras gotas de sangue encontraram a neve, e meio segundo depois, Janel deitava, descansando eternamente em meio ao contraste do branco e vermelho. Seu corpo não demorou a esfriar, já havia morrido há tempos.
Colocou o vestido e se enfeitou com as jóias caríssimas que ganhava de seus clientes mais especiais, era uma moça adorada na Polônia, e até respeitada para uma mulher com um trabalho como o dela. Estava linda, uma linda e adorável polonesa, e mal tinha 18 anos. Quando chegou à casa do general, tinham mais algumas garotas que já estavam lá dentro, cada uma ao lado de um homem, e que não surpreendentemente eram gordos e ricos donos de fábricas. O general não tinha mulher alguma ao seu lado, esperava pacientemente por sua querida Janel, sua querida polonesa que vivia no subúrbio, sempre à espera de um cliente.
Quando ela chegou, todos já a conheciam, o dono foi logo a abraçando e a puxando para à mesa, fazendo-a sentar-se bem ao seu lado, bem próximo, ela não aguentava mais. O jantar passou como um sonho, podia estar presente de corpo na mesa mas sua mente jazia em outro lugar, na sua infância onde vivera sorrisos sinceros, na adolescencia onde ainda tinha sua família. O general ficou bêbado o suficiente para Janel saber o que iria acontecer dali em diante, alguns convidados já tinham subido, outros ido embora, talvez para a casa da suas amantes, ou, muito raramente para a casa de suas esposas.
Era hora de ir pra cama. A pior hora da noite, onde tinha que carregar aquele pesado homem pelas escadas e lhe dar prazer, não aguentava mais, não queria mais, ela chorava enquanto o carregava e ouvia as chulas músicas que ele entoava e que já não a faziam mal algum. E se deitaram, ela não conteve as lágrimas mas seu cliente estava bêbado demais para perceber qualquer coisa a seu redor. Era madrugada quando ele se cansou, a jogou de lado e dormiu na grande cama de casal que parecia extremamente pequena quando ele deitava.
Ela não queria dormir, nunca dormia. Se enrolou num cobertor, colocou suas roupas de baixo e olhou pela varanda. Estava nevando.
Olhou para a cabeceira e lá viu a pistola que ele sempre carregava, se aproximou e pegou-a, estava carregada. Colocou-a na cama, se vestiu e se olhou no espelho, penteou os cabelos, respirou fundo, pegou a arma de novo.
Saiu do quarto e foi andando até o campo central da grande fazenda, presumia que eram por volta das 4 horas da manhã e os escravos tinham a permissão para dormir durante duas horas.
Não tinha ninguém no campo, a não ser a pequena e delicada Janel com uma pistola na mão. Era tão delicada quanto aquela neve ao seu redor.
Já conseguia sentir suas lágrimas novamente.
Lembrou-se de tudo, lembrou-se de o porque de estar ali, lembrou-se da sua constante falta de vida, lembrou-se que não passava de um conforto e nunca era confortada.
Lembrou-se de que não queria que sua vida fosse preservada no dia em que mataram todos que amava diante de seus olhos.
E chorou.
Contundentemente as primeiras gotas de sangue encontraram a neve, e meio segundo depois, Janel deitava, descansando eternamente em meio ao contraste do branco e vermelho. Seu corpo não demorou a esfriar, já havia morrido há tempos.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Os 15 Eu's
15 anos,
E realmente não sabia o que pensar sobre isso. Olhava pra janela escura do seu quarto e imaginava se algo ia mudar.
Raramente mudava.
Não sabia se se sentia feliz, triste. Parecia que era ontem que tinha 12 anos e planejava a sua festa arduamente, como se todos os seus segundos dependessem daquele momento.
Entrar com um vestido perfeito, uma coroa, com um penteado longamente trabalhado enquanto passavam fotos de sua infância no telão e seus pais se emocionavam.
Ah, mas aquela ela era com 12 anos.
Quando completou 13, já não sonhava tanto com aquele momento. Aos 14, até que pensou, mas nunca aconteceu.
Ela tinha mudado, caiu numa realidade que nem gostava tanto assim. Percebeu que foi um "eu" a cada fase da vida e acha um pouco tarde pra tentar descobrir o "eu" que te cabia agora.
Imagina que é sempre o "eu" do silencio, aquele que não conta os problemas mas sim piadas sobre eles, pelo simples prazer de ouvir risadas. Aquele que prefere ficar embaixo das cobertas assistindo filmes do que ir pra uma festa pois sente dor de coluna nas primeiras três músicas (e mesmo assim fica com vontade de dançar). O "eu" que se sente confortável, com seu eu.
O "eu" que cabe agora é o do conhecimento e aprendizagem, e posso só ter completado 15 anos, mas sinto que evolui de uma forma magnífica, e quero progredir.
Imagina que é sempre o "eu" do silencio, aquele que não conta os problemas mas sim piadas sobre eles, pelo simples prazer de ouvir risadas. Aquele que prefere ficar embaixo das cobertas assistindo filmes do que ir pra uma festa pois sente dor de coluna nas primeiras três músicas (e mesmo assim fica com vontade de dançar). O "eu" que se sente confortável, com seu eu.
O "eu" que cabe agora é o do conhecimento e aprendizagem, e posso só ter completado 15 anos, mas sinto que evolui de uma forma magnífica, e quero progredir.
sábado, 21 de setembro de 2013
O Meu Chá de Sumiço
E lá estava ela, sentada no sofá, o cabelo bagunçado e a vida mais ainda.
Desde que ele foi embora, ela mal conseguia viver, era tudo tão escuro e ela se encaixava naquilo, era desconfortável, mas era um beco sem saída, um túnel sem luz no fim. Lembrava das últimas palavras dele como se acabara de ouvi-las.
"Desculpa, mas ela é melhor que você".
"Mas que porra de mundo é esse? Ninguém é melhor que ninguém." Pensava ela enquanto desabava em lágrimas. Viveu os melhores 6 meses de sua vida ao lado do seu grande, maior e primeiro amor, ah, eles se amaram e viveram felizes como ninguém. Até que o inesperado acontecesse, e ela tinha que partir.
Meses os separaram mas foram como anos, anos de insônia e choro, anos de preocupação pra saber se seu amor ainda estava lá, guardado só pra ela.
"Fica tranquila branquinha, quando você voltar o amor e o café que eu te darei estarão aqui" E ela sorria.
E voltou.
O amor não estava lá.
Só o café.
Amargo.
Decidiu tomar chá.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nota da autora: Esse é dedicado ao blog em si, que ficou esquecido durante um mês, mil perdões.
Digamos que estou com projetos "maiores".
Obs: Obrigada pela ajuda Mumu.
Desde que ele foi embora, ela mal conseguia viver, era tudo tão escuro e ela se encaixava naquilo, era desconfortável, mas era um beco sem saída, um túnel sem luz no fim. Lembrava das últimas palavras dele como se acabara de ouvi-las.
"Desculpa, mas ela é melhor que você".
"Mas que porra de mundo é esse? Ninguém é melhor que ninguém." Pensava ela enquanto desabava em lágrimas. Viveu os melhores 6 meses de sua vida ao lado do seu grande, maior e primeiro amor, ah, eles se amaram e viveram felizes como ninguém. Até que o inesperado acontecesse, e ela tinha que partir.
Meses os separaram mas foram como anos, anos de insônia e choro, anos de preocupação pra saber se seu amor ainda estava lá, guardado só pra ela.
"Fica tranquila branquinha, quando você voltar o amor e o café que eu te darei estarão aqui" E ela sorria.
E voltou.
O amor não estava lá.
Só o café.
Amargo.
Decidiu tomar chá.
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Nota da autora: Esse é dedicado ao blog em si, que ficou esquecido durante um mês, mil perdões.
Digamos que estou com projetos "maiores".
Obs: Obrigada pela ajuda Mumu.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Os Monstros Debaixo Do Meu Armário
Fotografia: Angelo Bonini
"Terceira noite seguida que não consigo dormir" pensou ele, e levanta da cama. Vai à cozinha, pega suas pílulas, senta-se e olha pra elas como se fossem um pecado.
Não queria toma-las, não queria dormir sedado mais uma vez, ele queria sonhar um pouco. Porque na escuridão já vivia.
Todos diziam que fugir da realidade não era uma opção, mas mesmo assim ele tentava, com todas suas forças, fugir dela "Tome seus remédios, você vai melhorar" diziam todos aqueles que se importavam com a vida medíocre e triste de um rapaz de 20 anos, que mora sozinho num apartamento sujo de tristezas e toma pílulas para (sobre)viver.
São duas e meia da manhã de um domingo e tudo que você vê naquele apartamento é um rosto triste com a barba mal feita olhando pra uma caixinha de pílulas. "Se pelo menos houvesse uma pílula que surtisse felicidade" pensou consigo.
Pegou aquela caixa meia cheia de tristeza e jogou no chão, não queria aquilo. Não queria mais nada. Levantou-se, pegou um lápis e seu caderno de notas e escreveu. Escreveu e escreveu.
Naquela madrugada, conseguiu tirar conclusão de que a madrugada não foi feita para os amantes dormirem abraçados ou fazerem amor, nem para as pessoas que tem a cabeça sem tormentas.
A madrugada é fruto daqueles que, como ele, morriam e apenas re-viviam de novo pela manhã, pensavam em pílulas da felicidade, e tentavam conviver com os monstros debaixo do armário.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
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