-Se ajeite, coloque o vestido pendurado no roupeiro. Tens um trabalho- dizia a velha gorda dona do cabaret-Vamos!
Janel já não se importava mais com clientes, nem com os horários com que eles vinham, ela também não se importava com o dinheiro no qual ganhava. Não tinha uma família para sustentar, e nunca iria poder começar uma.
Fora chamada para trabalhar em um jantar de um grande general, daqueles homens gordos que vivem com um charuto, que batem e matam seus escravos judeus por pura diversão, bebiam desenfradamente, e compravam belas mulheres. E ela teria que se misturar, se deixar ser tocada por aquelas mãos tremendas. Mãos que mataram pessoas como ela, que passavam fome e frio, que sofriam.
Sentou-se na penteadeira e se mirou no espelho, viu aquela delicada moça com cabelos loiros e olhos claros, viviam dizendo a ela que era a imagem da perfeição, podia ser a imagem da perfeição, só não sabia que a perfeição era tão infeliz.
Havia uma lágrima escorrendo, uma lágrima que nenhum de seus patrões podiam ver. Era difícil ser o que ela era, um belo objeto, um que você apenas chama e o aluga durante umas horas. Não tinha família, era sozinha, vivia no escuro. Suas companheiras de quarto? Morreram, foram descobertas pelos nazistas e levadas para os campos de concentração. "Pense bem criança, sorte a sua não ter a marca em seus braços, queremos você conosco, nos rende um ótimo dinheiro".
Colocou o vestido e se enfeitou com as jóias caríssimas que ganhava de seus clientes mais especiais, era uma moça adorada na Polônia, e até respeitada para uma mulher com um trabalho como o dela. Estava linda, uma linda e adorável polonesa, e mal tinha 18 anos. Quando chegou à casa do general, tinham mais algumas garotas que já estavam lá dentro, cada uma ao lado de um homem, e que não surpreendentemente eram gordos e ricos donos de fábricas. O general não tinha mulher alguma ao seu lado, esperava pacientemente por sua querida Janel, sua querida polonesa que vivia no subúrbio, sempre à espera de um cliente.
Quando ela chegou, todos já a conheciam, o dono foi logo a abraçando e a puxando para à mesa, fazendo-a sentar-se bem ao seu lado, bem próximo, ela não aguentava mais. O jantar passou como um sonho, podia estar presente de corpo na mesa mas sua mente jazia em outro lugar, na sua infância onde vivera sorrisos sinceros, na adolescencia onde ainda tinha sua família. O general ficou bêbado o suficiente para Janel saber o que iria acontecer dali em diante, alguns convidados já tinham subido, outros ido embora, talvez para a casa da suas amantes, ou, muito raramente para a casa de suas esposas.
Era hora de ir pra cama. A pior hora da noite, onde tinha que carregar aquele pesado homem pelas escadas e lhe dar prazer, não aguentava mais, não queria mais, ela chorava enquanto o carregava e ouvia as chulas músicas que ele entoava e que já não a faziam mal algum. E se deitaram, ela não conteve as lágrimas mas seu cliente estava bêbado demais para perceber qualquer coisa a seu redor. Era madrugada quando ele se cansou, a jogou de lado e dormiu na grande cama de casal que parecia extremamente pequena quando ele deitava.
Ela não queria dormir, nunca dormia. Se enrolou num cobertor, colocou suas roupas de baixo e olhou pela varanda. Estava nevando.
Olhou para a cabeceira e lá viu a pistola que ele sempre carregava, se aproximou e pegou-a, estava carregada. Colocou-a na cama, se vestiu e se olhou no espelho, penteou os cabelos, respirou fundo, pegou a arma de novo.
Saiu do quarto e foi andando até o campo central da grande fazenda, presumia que eram por volta das 4 horas da manhã e os escravos tinham a permissão para dormir durante duas horas.
Não tinha ninguém no campo, a não ser a pequena e delicada Janel com uma pistola na mão. Era tão delicada quanto aquela neve ao seu redor.
Já conseguia sentir suas lágrimas novamente.
Lembrou-se de tudo, lembrou-se de o porque de estar ali, lembrou-se da sua constante falta de vida, lembrou-se que não passava de um conforto e nunca era confortada.
Lembrou-se de que não queria que sua vida fosse preservada no dia em que mataram todos que amava diante de seus olhos.
E chorou.
Contundentemente as primeiras gotas de sangue encontraram a neve, e meio segundo depois, Janel deitava, descansando eternamente em meio ao contraste do branco e vermelho. Seu corpo não demorou a esfriar, já havia morrido há tempos.
Colocou o vestido e se enfeitou com as jóias caríssimas que ganhava de seus clientes mais especiais, era uma moça adorada na Polônia, e até respeitada para uma mulher com um trabalho como o dela. Estava linda, uma linda e adorável polonesa, e mal tinha 18 anos. Quando chegou à casa do general, tinham mais algumas garotas que já estavam lá dentro, cada uma ao lado de um homem, e que não surpreendentemente eram gordos e ricos donos de fábricas. O general não tinha mulher alguma ao seu lado, esperava pacientemente por sua querida Janel, sua querida polonesa que vivia no subúrbio, sempre à espera de um cliente.
Quando ela chegou, todos já a conheciam, o dono foi logo a abraçando e a puxando para à mesa, fazendo-a sentar-se bem ao seu lado, bem próximo, ela não aguentava mais. O jantar passou como um sonho, podia estar presente de corpo na mesa mas sua mente jazia em outro lugar, na sua infância onde vivera sorrisos sinceros, na adolescencia onde ainda tinha sua família. O general ficou bêbado o suficiente para Janel saber o que iria acontecer dali em diante, alguns convidados já tinham subido, outros ido embora, talvez para a casa da suas amantes, ou, muito raramente para a casa de suas esposas.
Era hora de ir pra cama. A pior hora da noite, onde tinha que carregar aquele pesado homem pelas escadas e lhe dar prazer, não aguentava mais, não queria mais, ela chorava enquanto o carregava e ouvia as chulas músicas que ele entoava e que já não a faziam mal algum. E se deitaram, ela não conteve as lágrimas mas seu cliente estava bêbado demais para perceber qualquer coisa a seu redor. Era madrugada quando ele se cansou, a jogou de lado e dormiu na grande cama de casal que parecia extremamente pequena quando ele deitava.
Ela não queria dormir, nunca dormia. Se enrolou num cobertor, colocou suas roupas de baixo e olhou pela varanda. Estava nevando.
Olhou para a cabeceira e lá viu a pistola que ele sempre carregava, se aproximou e pegou-a, estava carregada. Colocou-a na cama, se vestiu e se olhou no espelho, penteou os cabelos, respirou fundo, pegou a arma de novo.
Saiu do quarto e foi andando até o campo central da grande fazenda, presumia que eram por volta das 4 horas da manhã e os escravos tinham a permissão para dormir durante duas horas.
Não tinha ninguém no campo, a não ser a pequena e delicada Janel com uma pistola na mão. Era tão delicada quanto aquela neve ao seu redor.
Já conseguia sentir suas lágrimas novamente.
Lembrou-se de tudo, lembrou-se de o porque de estar ali, lembrou-se da sua constante falta de vida, lembrou-se que não passava de um conforto e nunca era confortada.
Lembrou-se de que não queria que sua vida fosse preservada no dia em que mataram todos que amava diante de seus olhos.
E chorou.
Contundentemente as primeiras gotas de sangue encontraram a neve, e meio segundo depois, Janel deitava, descansando eternamente em meio ao contraste do branco e vermelho. Seu corpo não demorou a esfriar, já havia morrido há tempos.